Prefeitura investe em projetos e parcerias para resolver problemas de saneamento básico na Zona Rural
Secretarias: Desenvolvimento RuralData de Publicação: 18 de junho de 2025
Crédito da Matéria: Assessoria de Comunicação
O município de Mogi Mirim tem sido destaque em iniciativas públicas e parcerias para melhoria das condições de saneamento na zona rural. Desde que iniciou a elaboração do Plano Municipal de Saneamento Rural (PMSR), com financiamento do Fehidro (Fundo Estadual de Recursos Hídricos), e apoio do CBH-PCJ (Comitê de Bacia do Rio Piracicaba), a Prefeitura tem chamado a atenção de especialistas pelas iniciativas de mobilização da população e no incentivo à substituição das fossas rudimentares por biodigestores e soluções ecológicas de tratamento de esgotos.
Em 2023 o PMSR foi iniciado, com a realização de reuniões nos bairros rurais, e debate com a população, integrando ações do SAAE e da Secretaria de Agricultura. Com o intuito de substituir fossas rudimentares, o município incentivou várias ações privadas de troca de sistemas, dando apoio técnico para a execução de obras, e inscrevendo 114 proprietários para receberem biodigestores gratuitamente, utilizando recursos do FEHIDRO. Apesar da demora no processo licitatório, a instalação dos equipamentos está prevista para acontecer ainda neste ano. Já com relação ao PMSR, nos próximos dias 25 de junho, 1 e 2 de julho, o município está organizando as audiências públicas para debater com a população as novas ferramentas para o saneamento rural para os próximos 20 anos. Serão propostas ações de controle de qualidade da água, tratamento de esgotos, coleta de resíduos sólidos, coleta seletiva, dentre outros assuntos. As reuniões serão regionais, e acontecerão nos bairros Vergel, Pederneiras e Paiol de Telhas, abrangendo as regiões leste, noroeste e sudoeste do município.
Uma das ações mais importantes do PMSR, do ponto de vista técnico e social, é a atuação da Unicamp. Depois de conhecer as iniciativas da Prefeitura e levar os técnicos municipais para fazerem palestra para os alunos de Engenharia Civil da Universidade, o professor Adriano Tonetti, coordenador do Programa de Pós Graduação em Saneamento e Meio Ambiente, trouxe sua estrutura de extensão universitária para Mogi Mirim. Ele inseriu o município num projeto de pesquisa em parceria com a Universidade Federal do ABC e a FUNASA – Fundação Nacional de Saúde, e desde agosto de 2024 está monitorando a qualidade da água de consumo humano de um sítio no bairro Paiol de Telhas.
Além disso, trouxe técnicos e alunos da Universidade para mapear o local e estudar a implantação de sistemas de tratamento de esgotos. O estudo contou com a participação de Engenheiros Civis do Saae e da Secretaria de Agricultura, além de dar orientações sanitárias para os moradores do sítio. Foram diversas reuniões, incluindo a apresentação de maquetes com os sistemas de tratamento, para que os moradores pudessem visualizar como seriam as soluções propostas.
A ação prevê a instalação de seis sistemas de tratamento (um para cada casa do sítio): três biodigestores associados com valas de infiltração e círculos de bananeira, duas fossas biodigestoras modelo EMBRAPA e um tanque de evapotranspiração (TEVAP). Esses sistemas foram propostos para que os estudantes possam monitorar a eficiência do tratamento dos esgotos e a melhoria da qualidade da água. O projeto é financiado pela FUNASA.
Nesta semana, as obras foram iniciadas. A Unicamp contratou uma empresa para executar os serviços, que são acompanhados passo a passo pelos seus técnicos e alunos. O prefeito Paulo Silva e o secretário de Agricultura Valdir Biazotto estiveram no local na última terça-feira (17) para vistoriar os trabalhos. A bióloga e doutora em saneamento, Isabel Figueiredo, responsável pela implantação do projeto, explicou às autoridades a função de cada sistema, e como eles agem para remover matéria orgânica e organismos prejudiciais à saúde.
Destacou também a importância da localização correta desses equipamentos. “É muito importante afastarmos os esgotos de forma segura, mantendo-os distantes do contato humano e dos animais do sítio. Além disso, pelas leis estaduais, um sistema de tratamento deve ficar pelo menos 30 metros distante do poço de água, para evitar a contaminação”, apontou. A engenheira civil Renata de Faria Rocha é a responsável técnica do PMSR. Liderando a execução do plano, não esconde sua satisfação em ver um projeto como este em andamento. “É de suma importância a presença da Unicamp aqui com a gente. Fortalece nossas ações e nos estimula a continuar lutando por melhorias no saneamento básico da zona rural. Temos muitas situações precárias em vários sítios, e é preciso conhecer métodos e tecnologias, porque cada situação requer uma solução diferente”.
O professor Adriano Tonetti, por sua vez, destacou que esta ação tem sido muito bem vista pelo CBH-PCJ e pela FUNASA. “Precisamos de soluções eficientes, de baixo custo e que promovam a melhoria das condições de moradia dessa população. A iniciativa da Prefeitura de Mogi Mirim é muito importante, e este projeto da UNICAMP vai trazer muito conhecimento para ser aproveitado pela sociedade”, frisou.
O secretário de Agricultura Valdir Biazotto também demonstrou sua satisfação com o início das obras. “Esta ação vai dar muitos bons frutos para nosso programa de saneamento rural. Já temos a previsão de instalar os biodigestores com o contrato que o Saae está licitando. Ao mesmo tempo, a Secretaria de Agricultura está negociando com o CBH-PCJ o programa de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), que inclui o saneamento rural e a recuperação de nascentes. Estamos muito otimistas com os resultados que virão de todas essas ações acontecendo ao mesmo tempo”, ressaltou.
O prefeito Paulo Silva elogiou os trabalhos da Unicamp e destacou a importância das parcerias entre instituições, iniciativa privada e terceiro setor na conquista de projetos para o município. “A prefeitura sozinha não consegue resolver tudo. É preciso que toda a sociedade participe, para que possamos melhorar as condições ambientais da nossa cidade”.
